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Refrigerantes e dentistas - sandices e asneiras contra empresas e propaganda
27/2/200917:02:33

O pessoal que adora patrulhar a propaganda anda arisco. Pior: anda com sede de sangue. Sangue, no caso, significa limitar toda sorte de propaganda, de comunicação, de criatividade ou de inovações na linguagem publicitária.

Se já está difícil ver boa propaganda com as limitações de praxe - verbas, prazos, policies (obrigatoriedades e recomendações específicas que devem ser seguidas pela publicidade, tipo logotipo no canto superior direito durante 30 segundos...), egos, besteiras, tabus e preconceitos - imagine com esquerdiotas, esquerdopatas, ingênuos e tolos, ongueiros e outros "ativistas" disparando sua raiva ou rancor ideológico contra toda forma de propaganda.

Uma coisa é a sociedade civil, por meio de seus representantes, dos consumidores criticar formatos e peças publicitárias inadequados, preconceituosos, sexistas, mentirosas enfim, ruins. Sabe como é: nós não temos obrigação de tampar o nariz quando a Petrobras veicula propaganda de apelo "sustentável", enquanto entope nossas narinas com diesel lotado de enxofre... Ou fechar os olhos quando propaganda de cerveja precisa apelar para mulheres bonitas e voltagem erótica para tentar ser lembrada... Ou quando o pessoal resolve fazer "reclame" de oportunidade em caso de assalto ou de morte de celebridade... Devemos simplesmente criticar e pedir coisa melhor.

Agora, outra coisa, completamente diferente, é ver grupos de pressão que criam fantasmas, assombrações e pintam a publicidade, qualquer que seja como "comedora de criancinhas"...

Esta semana, em plena ressaca pós-Carnaval, tivemos 2 exemplos dessa turma que não se conforma com o fato de que a publicidade é uma atividade legítima, bem remunerada (em relação ao que essa turma de frustrados talvez ache que mereça ganhar.. vai saber), que é avalista da democracia, que representa uma ferramenta que estimula liberdade de escolha e o livre-arbítrio.

Preparem meus sais e o Dramin velho de guerra, porque só de relatar as sandices, os enjoos, náuseas e tonteiras se manifestam...

O Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana (aqui), organização sem fins lucrativos que, entre outros objetivos, missão ou incumbências, procura "desenvolver atividades em prol da defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes relacionadas a relações de consumo em geral, bem como ao excessivo consumismo ao qual são expostos", fez uma denúncia contra a campanha publicitária "Toda família tem um moleque muito folgado", dos refrigerantes Schin, da Schincariol". O motivo? "O filme veiculado na TV é abusivo, pois estimula o consumo de bebida com alto teor de açúcar, além de ser direcionado ao público infantil." Vejam o filme abaixo.




Chamem Gastão, o Vomitador!

1- O que significa abusivo? Qual é a evidência científica exata - parâmetros e especificações - que permitem concluir que os refrigerantes Schin são "bebida com alto teor de açúcar"?

2- E qual é, exatamente, o problema do comercial ser direcionado ao "público infantil"? Aliás, o que o Projeto Criança entende por público infantil? Talvez a denúncia seja infantil, no sentido estrito de despreparado, tolo, ingênuo. Mas o público infantil, via de regra, em 2009, devidamente conectado, impactado pela televisão, rádio, internet, celular, é assim tão tolo, tão inocente, tão puro que precisa de toda ajuda necessária para não ver comerciais e sair consumindo refrigerante "com alto teor de açúcar" de modo alucinado?



3- Ao menos, o pessoal do Instituto Alana, certamente bem-intencionado, sério (talvez sério demais, no mau sentido do termo) poderia definir melhor o que significa "... relacionadas a relações..."? Vejam aí em cima, retirado ipsis literis do site do instituto. E mais, com base em que estatística, pesquisa científica (artigos e impressões de gente, sei lá, embebida em ideologia, não vale, nem pesquisas que supostamente revelam que as crianças e adolescentes têm poder de decisão sobre os hábitos de consumo familiares, porque viciadas e com problemas metodológicos. Falamos disso em outro post) que crianças e adolescentes podem/devem ser defendidos do "excessivo consumismo ao qual são expostos"?

4- Vamos ao fato cristalino: esta é uma sociedade de consumo. E a sociedade de consumo, baseada no autointeresse, para desespero dos "humanistas iluminados", da brava gente que acredita que somos bons selvagens "corrompidos" pelo capitalismo, foi a que permitiu retirar da miséria milhões de pessoas, transformado-as em cidadãs conscientes e que consomem, geram renda, emprego, inovação e BEM-ESTAR. Antes de proteger as crianças e adolescentes do excessivo consumismo, devemos ensiná-las a a viver melhor, serem mais críticas e exigentes para inovarem e aperfeiçoarem esta sociedade.

5- O comercial da Schin, de seus refrigerantes, tem o objetivo de posicionar a marca contra concorrentes poderosíssimos, Coca-Cola e AMBEV. Em meio a Coca-Cola, Guaraná Antarctica, Fanta, Sprite, Pepsi, fica difícil conseguir um espaço na mente dos clientes. É imperioso ser provocativo, inquieto e a premissa da campanha, de tipos impertinentes tem base na realidade. A campanha procura comentar causos do cotidiano familiar. E, desespero total para os ingênuos, ela funciona, mesmo que com roteiros um tanto vulgares (mas o alvo aí, provavelmente são famílias de classe B e C).

6- O CONAR - Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (site aqui) - acata a denúncia "pelo uso de estímulo imperativo e no emprego de crianças como modelos para vocalizar apelo direto, recomendação ou sugestão de uso ou consumo."

Pelo visto, a endorfina ideológica contaminou até o CONAR...

Em menor grau, surgiu a discussão sobre a participação de dentistas em comerciais - de pastas e escovas de dente, colutórios, planos odontológicos. Segundo Marco Antonio Manfredini, cirurgião-dentista e conselheiro-geral do CROSP (Conselho Regional de Odontologia do Estado de São Paulo) esse é "um tema omisso. Hoje, não existe uma orientação, o código não restringe."

Você acha que a presença de profissional dentista em comerciais de Tv e anúncios impressos representa um risco? É um problema ético?

Discordo. Dentistas que participam eventualmente, de comerciais mentirosos ou que prometem milagres e resultados não comprovados devem ser punidos. Marcas e empresas que veiculem comerciais dessa natureza também devem ser punidas. Mas daí a restringir a presença de um profissional que trabalha honestamente para avalizar uma opinião, me parece um preciosismo.

Se um profissional induzir pessoas a escovarem mais os dentes, a visitarem dentistas regularmente, a preocuparem-se com tártaro, cáries e o próprio sorriso, que mal há nisso? Se, em contrapartida, os profissionais participarem de comerciais estilo "Casas Bahia", ou incharem a peça com adjetivos sem comprovação, que sejam aplicadas sanções devidas. Liberdade de escolha e livre-arbítrio, lembram?

O que deve ser evitado ou combatido é a propaganda ruim, repito. Apelativa, baseada e disseminadora de clichês e estereótipos negativos, veiculada fora de horário ou de modo inadequado. Mas censurar não vale. Essa não é a regra do jogo. A regra é jogar dentro do espírito democrático. Com o confronto de ideias, conceitos e práticas. Nunca com a censura, o destempero, o autoritarismo ou a tentação do argumento fácil, que visa "proteger" a sociedade dos bárbaros prestes a tomar Roma (nossa consciência).

Não será com sandices, asneiras e intolerância contra a sociedade de consumo (viva ela!) que o mundo será melhor. Na verdade, será pior. Será medíocre, tosco, antiquado, ludita, uma socialização da miséria, incluída aí a pior delas, a intelectual.

Olhem a curiosidade final desse post: se o refrigerante tem açúcar, por que não o dentista para alertar sobre alguns riscos?

Obviamente que é mais difícil fazer desse jeito.

Agora, alguém se lembra de citação ou pessoa que tenha falado que democracia é simples?

Postado por Jacques Meir (propagandasustentavel@gmail.com).

*Em tempo, as citações entre aspas foram retiradas de matérias publicadas no site do Clube de Criação de São Paulo.


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