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Que brahmeiro,que nada. É sem noção mesmo
24/4/200912:32:05

A África, agência do Grupo ABC, comandada por Nizan Guanaes, tem se notabilizado pela notável mediocridade de seu trabalho.

É musiquinha pra cá, celebridade pralá, títulos canhestros em anúncios acolá e falta de escrúpulos quando o assunto é criar "polêmica" mais adiante.

Vocês lembram de Zeca Pagodinho, contratado pela Nova Schin e depois cooptado como persona de um tipo supostamente "especial" de brasileiro, "o brahmeiro".

Que Zeca Pagodinho tenha passado alguns meses em abstinência por conta de problemas de saúde seria notável. Mas que o ex-jogador em atividade Ronaldo ex-fenômeno seja definido depois de 6 dúzia de jogos como "guerreiro/brahmeiro" é de uma espantosa falta de bom senso. Ronaldo ainda é um centroavante perigoso, por mais que sua figura rotunda e seus olhos inchados denunciem um apego demasiado à bebida alcoólica e às gorduras da mesa. Claro, em um campeonato medíocre como o Paulistinha ele consegue fazer seus golzinhos. Mas que consiga fazer algo de mais notável no exigente campeonato brasileiro será uma surpresa.claro, ainda que fisicamente e mentalmente,
Ronaldo seja ex-jogador, seu talento ainda o coloca em posição razoavelmente competitiva com muitos dos pernas de pau que arrancam tufos de grama nos horrendos gramados tupiniquins.



Mas ele é "brahmeiro". E, portanto, ungido de poderes celestiais, porque deve molhar seus lábios em loiras aguadas e quem sabe,na loira Brahma. De todo modo, o comercial da Brahma não mostrou nada de positivo. Associou a imagem da bebida a um jogador que já costuma frequentar as páginas de fofocas por descuidar da forma, por engordar excessivamente, por fumar e por gostar de uma balada. Aí associa o "suor" do jogador com o "suor" da cerveja. Não fica só nisso: ainda coloca a cerveja na mão do jogador e o faz declarar-se "brahmeiro". É imediato. Confiram:



Qualquer um menos desavisado vai entender que o "brahmeiro" adora uma cervejinha. Longe de ser uma recompensa é um atestado de descuido do atleta para com seu instrumento de trabalho: o corpo. O corpo, não o copo.

Diante do péssimo exemplo, a história ainda ganha demagogia: a Schin resolve denunciar o comercial da Brahma ao CONAR. E a própria Schin que sem senso de ridículo associou sua cerveja a um espirro, a uma gripe, resolve posar de vestal e diz que o comercial da Brahma é mau exemplo para as crianças.

Talvez estejam todos de porre.

Talvez estejam preocupados demais em criar "polêmicas". Seria melhor se estivessem empenhados em fazer comerciais mais inteligentes para cervejas.

Uma coisa é Ronaldo mostrar mais uma vez força de vontade para superar contusões sérias e voltar a desfilar talento nos gramados ainda que longe da forma física ideal para um atleta). Outra coisa é associar esse espírito a uma cerveja e mostrar que aqueles que bebem são guerreiros.

Belo exemplo para a juventude. Não seria, nesse caso,  melhor mostrar Adriano, ex-imperador empinando pipas, já que este declarou ter tido problemas com a bebida? Falta de pertinência, de relevância, de adequação. Sobra insensibilidade, critério, responsabilidade e respeito.

Ronaldo tem uma carreira que faz dele alguém melhor que um "brahmeiro". Que tenha aceitado fazer esse papel de tolo em um comercial ridículo como esse apenas mostra que se não tomar cuidado, será lembrado pelo que fez de melancólico e não pelo que fez de brilhante (devemos em grande parte a Ronaldo um vice-campeonato e um campeonato mundial de
futebol).

Enquanto isso, a Brahma continuará a defender sua marca escorada no talento (e na falta de informação) de outras celebridades.

Postado por Jacques Meir (propagandasustentavel@gmail.com)


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