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Quando batem na propaganda, a liberdade de expressão é que apanha
6/8/200910:52:54

Já é tradição nessa democracia à brasileira. Enquanto desfilam toda sorte de comportamentos antiéticos e imorais, nossos políticos gostam de mostrar que pensam em alguma coisa propondo projetos para "regular" a propaganda.
Toda sorte de bobagens é teclada em micros por aspones contratados por algum ato secreto e impressa em papel, evidentemente desperdiçado querendo mostrar altruísmo em cima do instrumento capaz de garantir a liberdade de imprensa e, por extensão, a liberdade de expressão.
J. R. Guzzo, em sua coluna publicada na última edição de Veja (que alguns néscios da Geração Y desprezam mas não leem...) foi absulutamente preciso: "A maior parte dos brasileiros não sabe, mas é proibido por lei, por exemplo, fazer publicidade de mamadeiras, chupetas e bicos para mamar, "em qualquer meio de comunicação" – e, para não ficar nenhuma dúvida, também são vetados "promoções, cupons de desconto, sorteios e brindes" envolvendo esses produtos. A ideia superior das autoridades, no caso, é promover a amamentação no seio materno. Para sorte dos bebês que não gostam de se alimentar assim (e das mães que não têm a quantidade de leite desejada pelo governo), continua permitida a fabricação, venda e uso de mamadeiras – mas é ilegal falar que elas existem. Não está claro qual o problema que foi resolvido com essa lei, mas se alguém perguntar a respeito aos peritos em saúde pública infantil provavelmente ouvirá que o Brasil tem uma das políticas de aleitamento "mais avançadas" do mundo."
Isso para ficar apenas nas salvadoras mamadeiras (quem já teve filho sabe o quanto elas ajudam). Mas há projetos para restringir propaganda de fast food, eliminar cervejas da programação, regulamentar como comerciais voltados para crianças devem ser, sobre uso de crianças em comerciais, sobre alimentos funcionais, sobre medicamentos OTC, proibir expressões estrangeiras, obrigar que anúncios de automóvel tragam mensagens edificantes e por aí vai. Há uma necessidade dos políticos se mostrarem úteis ou de "espírito elevado", talvez mais "puros" diante da maldade premeditada por "publicitários" que só se interessam em vender.
 Bom, a publicidade comercial é a garantia dos políticos existirem. É a avalista da democracia, que pressupõe o contraditório, o debate e as ideologias. Quem comunga contra a propaganda, está, na verdade, embotado de uma ideologia rasteira, medíocre e sem sentido.
Uma coisa é procurar, dentro do debate, da livre circulação de ideias, na evolução natural dos recursos criativos, de elaboração de mensagens e no bom senso, estabelecer critérios qualitativos que tornem a publicidade mais agradável, menos invasiva e menos compulsória.
Outra coisa é querer tornar a sociedade mais "virtuosa", propondo toda sorte de interferências indevidas sobre a liberdade de expressão. E, aceitem ou não, a publicidade é uma forma de expressão. Claro que mentiras, agressividade, preconceitos e estereótipos não cabem aqui. Até porque não representam "liberdade de expressão", mas sim, uma forma de combatê-la por dentro, como veículo para aberrações conceituais. Pois bem, eu de meu lado, recuso tal demonstração de "virtuosismo". Menos até que pelo comportamento nada virtuoso de quem resolve conceber tais projetos do que pela minha convicção de que uma democracia pressupõe o embate de ideias e a prevalência de um sentido evolutivo da sociedade, lenta mas inexorável. Uma evolução condicionada a doses maciças de educação e não a doses cavalares de populismo.
Pego a reflexão de Guzzo emprestada novamente: "É inevitável. Todas as vezes que se escreve alguma lei sobre questões nas quais
a liberdade de expressão está envolvida, o cidadão fica menos livre para se
exprimir; não se conhece, na experiência humana, nenhum episódio em que tenha
acontecido o contrário. Outra consequência dessas tentativas de regular cada vez
mais coisas é a criação de uma teia de obrigações na qual já não basta que o
indivíduo obedeça à lei comum e respeite os direitos dos outros – ele precisa,
também, levar uma vida considerada virtuosa e ser protegido de si próprio. "
Aos governos de maneira geral basta que me protejam de seus desmandos e, quando muito dos meliantes que andam impunes por aí. Da publicidade posso me proteger, debatendo, contestando, compartilhando ideias, conceitos, tendências para que ela evolua na mesma velocidade que nossos hábitos e comportamentos.
Infelizmente no Brasil, até mesmo publicitários andam meio embotados e com a visão nublada. A quantidade de tolices produzidas em mais de 200 projetos que visam me tornar uma pessoa "reformada", correta e anódina, vendo publicidade mais insípida que salada de quiabo e chuchu deveria ser confrontada pela classe.
Os publicitários brasileiros são avessos a riscos. Adoram bajular os donos do poder para não prejudicar seu desempenho na próxima licitação.
Se alguém pedir a você para apoiar algum projeto contra alguma espécie de propaganda, veja se junto não vem um zíper para fechar sua boca.
Ou, recorrendo ao imortal Bill Bernbach: "Na propaganda, o que os detergentes lavam melhor: brancas, coloridas ou mentes? Não há nada de errado com a propaganda desde que ela seja boa." (Tradução livre do anúncio abaixo)
Postado por Jacques Meir (propagandasustentavel@gmail.com)
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| Comentários (1) |
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| Muito interessante a lei que existe no país da proibição de anuncios de mamadeiras. Trabalho no ramo e estre produto vende muito, várias vezes sem necessidade, certa de que anunciado venderia bem mais e quem saíriam perdendo seriam os bebês, pois não desfrutariam do leite materno como deveriam. Felizmente algo que me deixa contente nas leis brasileiras! |
Tatiane Corneau |
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