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Dinheiro é tudo mas já foi mais importante
19/7/201016:15:54

Hoje entrei em contato com uma pesquisa realizada pela Cia de Talentos para a Folha de São Paulo. Ela revela dados interessantes sobre o que motiva o jovem talento, prestes a ingressar ou recém-ingressado no mercado de trabalho. Ao contrário do senso comum (que normalmente aponta para fatos lógicos e, exatamente por isso, furados), os jovens estão atrás de um bom ambiente de trabalho. E o que vem a ser "bom ambiente de trabalho"? Segundo o jornalista Gilberto Dimenstein, que repercutiu os resultados da pesquisa em seu programete na rádio CBN, e em seu site catraca livre, significa um espaço e regras completamente diferentes da estrutura banalizada, situada atrás de baias e controles, monótona e previsível dos dias atuais.

Em uma palavra: Google.



Tomo a liberdade de citar textualmente o jornalista (veja a íntegra aqui): "A decoração do escritório do Google no Brasil combina móveis de design baseados nos princípios da ergonomia com redes, pufes, tabuleiros de xadrez, bolas de basquete e de futebol e videogames de última geração, disponíveis para uso no horário de trabalho. Imaginados para que os profissionais relaxassem, descarregassem energia e estimulassem a criatividade, os espaços lúdicos e coloridos criaram um novo padrão de ambiente de trabalho para os jovens brasileiros."


A geração Y está trazendo consigo um novo perfil profissional, menos afeito e apto a lidar com o fracasso, menos disposto a fazer concessões a hieraraquias e modelos anacrônicos de trabalho. É estranho como o Brasil ainda vê a prevalência e empresas como modelos de gestão e interação profissional anacrônicos e defasados. Claro que temos pensar na medíocre formação dos trabalhadores em geral, a mesquinha qualidade das escolas e universidades, com metodologias rudimentares e professores ruins (nas redes pública e privada, ainda que nas escolas pagas, o nível seja superior, mas sem indicadores sadios) como um dos vetores que norteiam gestão antiquada. Mas diante das mudanças que ocorrem no consumo e disseminação da informação, nessa nova era de fugacidade e hedonismo, jovens talentos precisam sentirem-se devidamente estimulados e motivados a produzir. E não o farão obedecendo a conceitos identificados com a monotonia, a academicismo, a falta de inquietude ou o apego a detalhes para eles irrelevantes. A necessidade e o marketing tolo da "inovação voyeurística" evidentemente ajudaram a criar estereótipos de empresas voltadas para a criação e suas atividades como benditas pela crença na Santa Inovação.

Bom, inovação não é estratégia. Inovação é um recurso para ganhar dinheiro novo. Existem duas formas de uma empresa ganhar dinheiro novo em velocidade que agrade ao apetite dos acionistas: comprando outras empresas ou lançando inovações capazes de reduzir custos ou abrir frentes em novos mercados ou ainda cobrir nichos inexplorados. Mas inovação mesmo, para frustramos essa ideia "voyeur" de fruto de criatividade, talento ou intuição e conexão com o divino, é um processo sistemático (leiam Innovatrix, de Clemente Nobrega - aqui -  para entender).

Mas nada impede que os ambientes de trabalho possam refletir menos um viés corporativo tradicional. Nessa chamada "economia do conhecimento", atividades digamos intangíveis, devem permitir um esquema de trabalho menos rígido, mais versátil, flexível, bem-humorado e com fronteiras mais diluídas com os lares. O contexto é hedonista, evoca prazer. E não adianta tentar defender ou exortar pessoas que chegam ao mercado que prazer e trabalho não combinam. Ao contrário, apropriar-se desse princípio e enquadrá-lo para atingir objetivos e resultados é o caminho.

Dinheiro é tudo mas já foi mais importante. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional significa diluir, modelar e mesclar fronteiras entre os dois lados da balança. Quanto mais a atividade for não-linear, ou seja, menos voltada à produção de bens materiais e sua distribuição, maior deverá ser a compreensão de que  os horários destinados à atividade serão variáveis e a produção em si, mais coordenada, menos afeita a hierarquia e enquadrada por processos novos, mais eficientes e menos compreensíveis pelos gestores oriundos de um passado que se esvai a cada segundo.

Parece um pouco volátil, etéreo e é mesmo. Novas prioridades, conceitos transformam a cada ano, novas gerações e novos profissionais. E as empresas precisam notadamente entendê-as, traduzi-las e transformá-las em resultados para empresas, comunicação, propaganda e marcas.

Postado por Jacques Meir (propagandasustentavel@gmail.com)


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