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Planeta Bradesco - as empresas devem fazer propaganda de suas ações pró-sustentabilidade
13/11/200719:48:00

O Bradesco lançou hoje a campanha "Planeta Sustentável". Um encarte com 4 páginas foi veiculado nos principais jornais do país, como a Folha e o Estadão. A idéia do Bradesco é reunir, em um só guarda-chuva, todas as ações de cunho sócio-ambiental do banco.



Matéria no site propmark (leia aqui) destaca algumas das ações. O diretor de marketing do Bradesco, Luca Cavalcanti, teve a seguinte declaração inserida na matéria: "Temos um trabalho sólido e que comprova o nosso envolvimento com ações relacionadas à preservação e educação. Há uma certa comoditização no discurso da sustentabilidade e o Bradesco não quer entrar nessa via. Queremos exibir para o mercado o que fazemos e o Banco do Planeta é a platarforma que escolhemos para esse fim"... e ainda "..."Vamos estar mais envolvidos e não vamos esconder o que fazemos, afinal somos um banco completo. O Banco do Planeta coincide com o Ano do Planeta em 2008".

O propaganda sustentável pergunta e quer saber: vocês acham que instituições/empresas devem alardear suas ações sociais? A comunicação publicitária de ações como neutralização de emissões de carbono, plantação de mudas, utilização de papel reciclado é relevante para o negócio e pode ser vista como propaganda sustentável? Ela não seria, por sua própria natureza, uma atitude antiética? Por que afinal as empresas precisam divulgar essas ações? São questões complexas.

Por um lado, defendemos aqui, no propaganda sustentável, que as empresas devam pedir por favor para veicularem sua propaganda, abolindo as formas intrusivas e compulsórias (das quais a mídia exterior, a comunicação digital feita à base de pop ups, pop unders são grandes exemplos) e devam permitir ao consumidor simplesmente ignorá-las. Por outro lado, o anúncio de ações sociais pode simplesmente ser uma forma de aplacar ou comprar consciências no sentido de mostrar que lucros impressionantes têm sua contrapartida.

Dentro da melhor doutrina liberal, a melhor contrapartida para o lucro é a empresa investir em seus colaboradores e em melhores produtos e serviços. O lucro é a melhor garantia de sustentabilidade. Ter consciência de que os recursos que sejam finitos extraídos do meio-ambiente e da sociedade precisam ser, de alguma forma, repostos, faz parte do compromisso de qualquer empresa hoje em dia. Elas devem retribuir os recursos que lhe permitam existir como entidade. Isso é INDISCUTÍVEL. Lucro pela sustentabilidade do ambiente toma o lugar de "lucro pela satisfação do cliente".

Nesse sentido, alardear grandes feitos dentro da bandeira da sustentabilidade pode parecer demagogia. Afinal, pode não ser nada mais que obrigação. Se um banco utiliza papel reciclado, não vejo nada mais que obrigação. Já que anos a fio, consumiu-se papel em cheques, contratos, comprovantes, extratos sem qualquer contrapartida. O custo de aquisição foi saldado, mas o custo ambiental, o passivo permanece aberto. Assim, propaganda acerca de uma política de reposição de perdas soa realmente demagógica.

Mas isto está longe de ser questão fechada. Deve ser debatida, comentada e vista por diversos ângulos para que então tenhamos uma opinião mais esclarecedora a esse respeito.

Postado por: Jacques Meir em 13/11/2007


Comentários (13)
CONCORDO QUE A PROPAGANDA SEMPRE FOI A FORMA DE ESCLARECER E CONSCIENTIZAR AS PESSOAS, DESDE A SUA CRIAÇÃO, MAS A GRANDE MAIORIA HOJE SÃO TENDENCIOSAS E PROCURAM ENGANAR OU FORJAR SITUAÇÕES NÃO VERDADEIRAS, PRINCIPALMENTE AQUELAS LIGADAS A SUSTENTABILIDADE COMO POR EXEMPLO A DO BRADESCO, FOI SÓ PARA COMBATER AO BANCO DO BRASIL QUE FOI O ÚNICO QEU ASSUMIU O COMPROMISSO FIRMADO NA RIO 92 EREFEZ SUA POLITICA DE ATUAÇÃO DENTRO DOS PRINCIPIOS DA CONFERENCIA DO EQUADOR E DA AGENDA 21 GLOBAL. E O BRADESCO ESTA TENTANDO CONDENSAR TUDO SENDO O BANCO DO PLANETA, NÃO SABE NEM O QUE REPRESENTA E TOTALMENTE INSUSTENTÁVEIS QUANDO DE SUAS AÇÕES DO DIA A DIA. MARIO PECORARO DIRETOR DE PROJETOS SOCIOAMBIENTAIS DA FUNDAÇÃO BRITO - CONSELHEIRO REGIONAL DE MEIO AMBIENTE, DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL E CULTURA DE PAZ DA CIDADE DE SÃO PAULO. MARIOLPECORARO@HOTMAIL.COM
MARIO PECORARO
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Bem,não é novidade pra ninguem que empresas ou instituições financeiras, hoje em dia estão adotando o marketing como uma forma de estratégia para mascarar seus verdadeiros objetivos.O marketing ajuda no processo de responsabilidade ambiental? Sim ajuda, quando feito de forma transparente e clara, para que suas ações possam ser atingidas e acima de tudo vistas por todos. No caso do Bradesco, a instituição visa ganhar a concorrência, uma simples disputa entre agentes do processo ecnômico, e dar retorno financeiro aos envolvidos. E não garantir uma dimensão de responsabilidade ambiental.
JORGE ROBERTO DE LEMOS
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Acredito que a propaganda possa ser educativa e, de forma divertida, conscientizar o cidadão consumidor sobre a questão séria da responsabilidade sócio ambiental que todos nós temos em relação ao mundo que vivemos. Acredito nesta propaganda que associa a marca à uma mensagem que pode tornar o mundo melhor, feito por empresas que investem em publicidade. A capacidade criativa das agências cativa o público e torna suas mensagens muito melhores e mais eficientes. Acredito nesta propaganda mesmo quando falamos de auto-promoção das ações de sustentabilidade, tão somente obrigatória das empresas. Conscientizando, relacionamos o ser humano com seus atos e mostramos a ele que estes atos são pertinentes e influenciam o mundo. Neste sentido que acredito que as empresas devam divulgar suas ações relacionadas com o meio ambiente e seus seres humanos. Quem sabe, se mostrarem o que fazem, não incentivem outras empresas a fazer o mesmo ou melhor por isso. Agora, podemos fazer o que quiser e falar o que quiser, mas se as ações não forem efetivas, de nada vai valer em nada mesmo!
Luciana G.Paternostro
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Meus amigos, definam sustentabilidade? Se acham que é definir um monte de ações socio-ambientais e epnsar na minimização de custos através de um processo semi-ecoeficiente, então, acho que a discussão nem começou! O que falta, em termos gerais, é as entidades, pessoas e grupos se informarem mais sobre as questões mais do que complexas e desafiadoras sobre um modelo realmente sustentável. Não ví aqui até agora alguém falar sobre entropia. Se foi gostaria de ouvir o que foi falado, se não, bem o assunto realmente nem começou aqui.
Léo Assis
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Se tem pessoas surpresas porque o bradesco tb é o bc do planeta é porque são pessoas do tipo misantropa e é claro irão se surpreender muito mais se lerem mais e interagirem com quem está preocupado com a questão sustentável do planeta. FALEI...
Raimundo Nonato
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E tem outra questão: utilizar papel reciclado não é uma ação sustentável. Está muito mais para "tapar o sol com a peneira" do que ser uma atitude que realmente ajude o planeta. Os papéis "reciclados" utilizados pelas empresas normalmente não são 100% reciclados, mas uns 30% ou menos. Se é para ser sustentável, então que seja com S maiúsculo. Pare de utilizar papel e desenvolva programas e tecnologias que possam substituílo. Enterrem os talões de cheque de uma vez, inovem nos contratos. Para mim, está faltando pensar fora da caixa. As soluções são sempre as mesmas, mas o momento em que vivemos pede um pouco mais que isso. E o maior problema é que eu acho tudo isso, mas fico parada. tsc tsc tsc. Está na hora de todos se mexerem né?
Jeniffer
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Quanto ao comentário da leitora Marisa, vale a pena reparar o seguinte dado: o número do Fone Fácil está sim localizado no site do Brasdesco, na página inicial, um pouco abaixo. Basta rolar o scroll bar e abaixo dos botões "Mídia Center", "Mercado Financeiro" e "Segurança" vemos o botão "Fone Fácil Bradesco" - 11 4002-0022 (capital e regiões metropolitanas. Demais localidades, clique...)
Jacques Meir
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Sou cliente Bradesco e hj para falar com uma agência tive 2 problemas.1-na página do Google,listado como sendo da agência Lido,tel. do Banco do Brasil!Experimente: 2543-1227. 2- No site do Bradesco,não há o telefone do Fale Fácil. Encontra-se no cartão do banco, em letras minúsculas. O objetivo do banco não é ser acessível aos clientes? Propagandas tão caras e uns enganos tão primários? Grata pela atenção Marisa
marisa
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Apenas para registrar. O comentário acerca da campanha do Unibanco foi publicada ontem no site e está disponível logo na home, como destaque.
Jacques Meir
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Vc já viu a propaganda do Unibanco? Ainda nao consegui ver... Mais um banco em busca da sustentabilidade. Quando vejo propagandas como as do Bradesco fico com uma raiva de publicitário, é tao facil sensibilizar as pessoas com imagens de natureza, fotos de criancas lindas e orquestras ao fundo... Ah! E as voz do capitão Nascimento, é claro! O negocio é saber se isso é realmente verdadeiro e nao só mkt.
Claudia
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Não vejo problema das empresas divulgarem nas propagandas que sua forma de fazer negócio está atrelado a Sustentabilidade. Porém temos que ter cuidado, pois será que no fundo a Sustentabilidade está mesmo no DNA da empresa? Ou é apenas uma forma de se destacar dos concorrentes? Procuro ser até mais crítica com essas empresas que da noite pro dia ficaram Sustentáveis. Não se muda "uma visão e missão" de uma empresa da noite pro dia, principalmente de grandes corporações. Colocar papel reciclado, é fácil o difícil é incorporar nos valores e no "negócio" da empresa a Sustentabilidade. Em relação ao Bradesco, me surpreendi, pois ele nunca se apresentou como tal e de repente é o Banco do Planeta. Parece mais uma estratégia de Marketing muito bem elaborada. Antes destas propagandas veículadas recentemente, quem tinha ouvido ou lido, alguma notícia sobre o Bradesco na questão de Sustentabilidade. De qualquer forma torço para estar errada, afinal que bom seria se realmente essa instituição incorporou em seu "negócio" a Sustentabilidade.
ma.marini@uol.com.br
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Muito interessante a abordagem, Fernanda. Mas, pedindo licença para utilizar uma expressão sua, é preciso separar o joio do trigo... Até que ponto usar a comunicação corporativa deve ter a função de "educar" as massas pelos caminhos e a consciência sustentáveis? Não estaríamos "privatizando" um direito e um dever das instituiçòes públicas, particularmente do governo que sonega educação básica? No mais, acho irrepreensível que comunicação baseada que enfoca ações sustentáveis e de responsabilidade social tenham força motivadora e exemplar, além, é claro, de ajudar a identificar (e recompensar!) empresas sérias, inovadoras e responsáveis daquelas oportunistas. Muito obrigado pelas palavras e por jogar mais luz no assunto.
Jacques Meir
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Não acredito que divulgar ações de responsabilidade social que visam a sustentabilidade seja demagogia ou oportunismo. É preciso separar o joio do trigo. Faz bem à saúde da cidadania corporativa este tipo estimulo porque fomenta o surgimento e a adoção de novas práticas. Outro ponto, é que através desta propaganda e dos veículos de massa que a exibem, consumidores terão a oportunidade de compreender o tema – muito distante ainda da realidade da massa - e por conseqüência passarão a ter atitudes de consumo sustentáveis. Consumindo marcas, produtos e serviços de empresas socialmente responsáveis. A propaganda é um instrumento que auxilia na percepção do consumidor ao identificar a diferença entre marcas cidadãs e sustentáveis e, marcas oportunistas. – separar o joio do trigo. Fernanda Ruiz fruiz@comvergir.com Diretora Executiva da Com.vergir
Fernanda Ruiz
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